| Adin do DEM: pedido de Eros Grau cancela votação, processo segue em análise |
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| Escrito por Diap |
| Qui, 25 de Fevereiro de 2010 18:32 |
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Centrais criticam ação no STF contra contribuição sindical. Entidades consideram como um ataque a Adin pedida pelo DEM. Medida seria forma de "criminalizar movimentos sociais" Por Suzana Vier, O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou mais uma vez, nesta quarta-feira (24), o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 4067 movida pelo DEM contra a destinação da contribuição sindical às centrais sindicais. A pedido do ministro Eros Grau, o processo não foi à votação e segue em análise. Em junho de 2009, o julgamento já havia sido interrompido em razão de pedido de vista do processo formulado pelo próprio Eros Grau. Na ação, o DEM questiona a constitucionalidade a atribuição das centrais e a destinação de 10% dos recursos arrecadados pela contribuição sindical (ou imposto sindical) prevista no artigo 589 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), alterada pela Lei 11.648/08, que reconhece as centrais. As centrais sindicais ouvidas pela Rede Brasil Atual consideram a ação do DEM uma tentativa de criminalização dos movimentos sociais e de desmobilização dos trabalhadores. "Querem acabar com a nossa raça e impedir a atuação do movimento social", dispara o presidente Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos. A alusão é a uma declaração de Jorge Bornhausen, atual presidente de honra do DEM, em 2005, quando disse que esperava "ficar livre dessa raça", em referência ao PT e a setores da sociedade ligados ao partido. "É só ver as várias atitudes tomadas pelo Democratas desde 2005 contra o MST, a CUT, a UNE", insiste Artur. O presidente da CUT ainda critica o DEM porque tinha apenas um governador (José Roberto Arruda, no Distrito Federal) e um prefeito de capital (Gilberto Kassab, em São Paulo), mas ambos "enfrentam ações na Justiça". Para o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, retroceder na regulamentação das centrais pode implicar em grandes perdas para os trabalhadores. Por isso, o sindicalista também critica o DEM. "(Eles) não enxergam na sociedade as questões mais importantes que nascem dos trabalhadores, as necessidades dos trabalhadores", condena. João Carlos Gonçalves (Juruna), secretário-geral da Força Sindical, defende a manutenção dos recursos da contribuição sindical às centrais para dar respaldo à luta social dos trabalhadores. "Os sindicatos, federações e confederações trabalham as questões das categorias, enquanto as centrais focam-se em questões sociais e ações que interessam ao conjunto dos trabalhadores na saúde, educação, políticas sociais... As grandes mobilizações em defesa dos direitos sociais são encabeçadas pelas centrais", aponta. A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) classifica a ação de ingerência. "Eles não têm legitimidade para propor qualquer coisa ao movimento sindical. É uma ingerência com o objetivo de criminalizar o movimento sindical e inibir a tomada de posição dos movimentos sociais que incomodam", afirma Eduardo Navarro, secretário de Imprensa e Comunicação da central sindical. Mérito "Estamos sendo reconhecidos como entidades nacionais para participar de fóruns tripartites que envolvem trabalhadores, governos e empresários e para tratar de assuntos de interesse da classe trabalhadora como salário mínimo, aposentados, assuntos que não são de uma ou outra categoria, são gerais", avalia. "Só que a base de voto do ministro é uma base falsa. Quem negocia pautas específicas das categorias são sindicatos, federações e confederações e não as centrais", conclui. Placar parcial O ministro Marco Aurélio abriu a divergência, votando pela improcedência, enquanto a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha manifestou-se pelo provimento parcial, mas pelo cabimento da destinação de parte da contribuição sindical às centrais. Faltam votar os ministros Gilmar Mendes, presidente do STF, Ellen Gracie, Carlos Britto, Eros Grau e Celso de Mello. O ministro José Antonio Dias Toffoli declarou-se impedido de votar, pois se posicionou contrário à Adin quando era advogado-geral da União. Contribuição Até 2008, a contribuição era distribuída aos sindicatos, federações e confederações de empresários e empregados e à Conta Especial Emprego e Salário - que integra os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) - administrada pelo MTE. Segundo o Ministério, o objetivo da cobrança é o custeio das atividades sindicais. A partir da Lei 11.648/08, a contribuição sindical dos trabalhadores passou a ser repartida de outro modo: 5% para a confederação da categoria; 10% para a central sindical; 15% para a federação; 60% para o sindicato e 10% para a Conta Especial Emprego e Salário. A contribuição recolhida dos empregadores é destinada 5% para a confederação da categoria; 15% para a federação, 60% para o sindicato da categoria e 20% para a Conta Especial Emprego e Salário. Os valores estabelecidos pela lei para a estrutura sindical patronal não foram questionados pelo Democratas, na Adin 4067. |