Os rodoviários de Belo Horizonte e região metropolitana cumpriram a determinação do sindicato da categoria e cruzaram os braços a partir das primeiras horas desta segunda-feira. A greve por tempo indeterminado foi decidida na tarde de domingo.
A maior parte dos passageiros foi surpreendida pela paralisação. Apenas algumas linhas mantêm parte dos ônibus em circulação, mas o número é insuficiente para atender a população da capital e cidades vizinhas. A Polícia Militar monitora a situação para evitar depredações e outros atos violentos em consequência da greve.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários em Transporte Coletivo, a greve tem como objetivo pressionar as empresas a conceder aumento salarial e promover melhorias nas condições de trabalho.
Os trabalhadores reivindicam 37% de aumento, jornada de seis horas de trabalho e compensação das horas, manutenção da função de despachante e cobrador, pois em algumas linhas este trabalho é feito pelo motorista.
Em nota, as empresas argumentam que apresentaram ao sindicato uma proposta de reajuste que coloca os trabalhadores do setor entre os de maior remuneração entre nas capitais do país. O texto divulgado pelos patrões adverte que “a ausência ao trabalho pode representar demissão por justa causa por descumprimento da Lei de Greve”.
"Dupla pegada"
Os rodoviários também querem o fim da “dupla pegada”. Eles alegam que alguns motoristas trabalham das 4h às 8h e das 16h às 20h. Até o início da manhã, nenhuma reunião entre patrões e empregados havia sido marcada.
De acordo com o sindicalista Denílson Dorneles, a paralisação também atinge Itaúna e Sete Lagoas, no interior do estado, onde as entidades ligadas aos trabalhadores também pressionam os patrões por aumento salarial.
Patrões
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) informou cerca de 30% da frota de ônibus está parada nesta segunda-feira e que 60 veículos foram danificados até o momento.
Os patrões reclamam que foram pegos de surpresa com a paralisação. Segundo o Setra-BH, na última sexta-feira, havia uma reunião marcada entre empresários e rodoviários no Ministério Púlbico, mas os trabalhadores não apareceram.
O sindicato informou também que vai recorrer à Justiça contra a greve para garantir o cumprimento da escala mínima.
Segunda-feira complicada
Segundo a BHTrans, em função da greve, o trânsito está intenso nos principais corredores de trânsito de Belo Horizonte, já que muitos usuários de transporte coletivo tiveram que tirar os carros da garagem para ir ao trabalho. Em função disso, a empresa informa que as pistas exclusivas de ônibus das Avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado estão liberadas nesta segunda-feira para o trânsito de carros.
Fonte: UAI








